Santa Asela surge na história da Igreja como uma figura luminosa, e desde a primeira frase é impossível ignorar como Santa Asela inspirou São Jerônimo. Além disso, ela, juntamente com outras virgens consagradas de Roma, marcou profundamente a espiritualidade do século IV. Assim, sua vida austera, recolhida e inteiramente voltada a Deus tornou-se referência segura para a tradição ascética do Ocidente. A festa litúrgica lembra-se em 6 de dezembro, e esse dia celebra sua entrega e seu testemunho.
A juventude de Santa Asela e sua consagração a Deus
Santa Asela nasceu em Roma por volta do ano 334. Desde já, seu nascimento fora precedido por sinal extraordinário: segundo São Jerônimo, o pai recebeu a visão da alma de Asela dentro de um vaso de cristal puríssimo. Assim também, o presságio confirmou a vocação da criança. Por volta de 344, ela manifestou o desejo de se consagrar totalmente a Deus. Contudo, só dois anos mais tarde pôde realizar-se: por volta de 346 retirou-se para uma celazinha minúscula. Dessa forma, passou a sair apenas para visitar os túmulos dos mártires. Além disso, vendeu um colar de ouro de grande valor para comprar uma túnica grosseira que a mãe lhe recusara. Assim, organizou a sua vida segundo uma regra de extrema austeridade e oração. Dormia no chão nu e fazia refeições muito frugais. Por fim, possuía o dom de frequentes êxtases.
A vida ascética e o testemunho espiritual de Santa Asela
Nunca estava ociosa. Aos cinquenta anos, apesar da vida de privações, conservava-se sã de espírito e de corpo. Tudo isto é o que diz Jerônimo na epístola Ad Marcellam (carta XXIV). Ainda assim, a grande estima que ele tinha por ela revela-se em outras cartas, especialmente na Ad Asellam (carta XLV). Nela, no ano de 385, Jerônimo, ao abandonar Roma desgostoso e ferido pelos intrigos, desabafou sua dor certo de que Asela o consolaria. Ele convidou-a a rezar por ele: “Lembra-te de mim, tu que és modelo de pudor e insígnia gloriosa da virgindade, e com as tuas orações acalma as ondas do mar.” Dessa forma, a confiança do doutor da Igreja confirma a importância espiritual de Santa Asela.
Santa Asela nas cartas de São Jerônimo
Na epístola Ad Principiam virginem — Explanatio Psalmi XLIV (carta LXV), Asela volta a figurar como mestra de vida santa. Portanto, sua autoridade espiritual era reconhecida não só pela austeridade, mas também pela serenidade e prudência. Depois de 385, perde-se o rasto dela. Contudo, voltamo-la a encontrar, muito provavelmente, na Asela mencionada por Paládio na Historia Lausiaca: “a bela Asela, a virgem que envelheceu no mosteiro.” Assim, a memória monástica preservou-a.
Últimos anos e sua herança espiritual
Em 405, ou pouco depois, Asela morreu. No fim do século XV, o seu nome foi arbitrariamente introduzido em alguns martirológios e calendários; todavia, sem base histórica segura para um culto público antigo. Mesmo assim, sua santidade não dependeu de honrarias. Acima de tudo, Santa Asela ofereceu à Igreja um exemplo de silêncio, pureza e perseverança. Em suma, permanece modelo de virgindade consagrada e mestra de oração para as gerações futuras.
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