Santo Eutiquiano, vigésimo sétimo a ocupar a Cátedra de São Pedro como Bispo de Roma, surge na história da Igreja como uma figura de serenidade pastoral em meio às transições políticas do final do século III. Desde o início de seu pontificado, consolidou a vida litúrgica, preservou a disciplina e fortaleceu a caridade cristã, num período em que o Império Romano atravessava profundas mudanças. Além disso, suas decisões revelam firmeza, ao mesmo tempo que manifestam um cuidado paterno pela dignidade dos fiéis.
Origem e eleição de Santo Eutiquiano
Santo Eutiquiano nasceu em Luni, na antiga região da Toscana, filho de Marino, segundo o Liber Pontificalis. Assim, sua trajetória começou em um importante centro da Itália romana, situado na atual Ligúria. Apesar das incertezas cronológicas, seu pontificado é tradicionalmente situado entre 275 e 283, período compreendido entre o reinado de Aureliano e o de Caro. Dessa forma, subiu à Cátedra de Pedro em anos de relativa tranquilidade, logo após as perseguições anteriores cessarem.
Ainda segundo o Liber Pontificalis, Santo Eutiquiano governou a Igreja por oito anos, dez meses e quatro dias, preservando a unidade e a integridade doutrinal num tempo marcado por debates disciplinares. Nesse sentido, sua presença ofereceu estabilidade à comunidade cristã de Roma.
O governo pastoral e os decretos de Santo Eutiquiano
O pontificado de Santo Eutiquiano destacou-se pela atenção constante ao culto divino. Consta que determinou que frutos como favas e uvas fossem colocados sobre o altar para bênção. A decisão aparece ligada à refutação prática de erros que desprezavam esses alimentos, pois alguns grupos, desviados da fé, atribuíam-lhes origem perversa e, por isso, evitavam o uso do vinho até mesmo na Missa. Assim também, reafirmou a ortodoxia litúrgica, preservando o uso tradicional do vinho consagrado, bem como a plena liberdade da criação de Deus.
Além disso, Santo Eutiquiano realizou ordenações significativas: quatorze presbíteros, cinco diáconos e nove bispos, conforme os registros antigos. Dessa forma, consolidou a estrutura eclesiástica necessária para o cuidado das comunidades cristãs. Em síntese, seu governo reforçou a solidez pastoral da Igreja Romana.
O zelo de Santo Eutiquiano pelos túmulos dos fiéis
O Liber Pontificalis afirma que Santo Eutiquiano sepultou pessoalmente centenas de mártires, chegando a registrar 342 sepulturas. Contudo, as fontes mais antigas indicam que sua época foi de paz para a Igreja, e por isso tal número não pode ser confirmado. Ainda assim, essa tradição demonstra como sua a figura ficou associada ao cuidado pelas sepulturas, pois determinou que cada cristão venerado como mártir recebesse uma lápide de mármore, além de relatório oficial enviado ao Papa.
Dessa forma, Santo Eutiquiano fortaleceu a disciplina funerária cristã, preservando a memória dos fiéis defuntos. Em conclusão, o zelo pastoral tornou-se uma marca permanente de seu pontificado.
Morte, culto e relíquias
Santo Eutiquiano faleceu em Roma, sendo inscrito na Depositio Episcoporum, celebrando-se sua memória no dia 8 de dezembro. Logo após sua morte, foi sepultado na célebre cripta dos Papas, no cemitério de Calisto, na Via Ápia. Ali, no século XIX, Giovanni Battista de Rossi encontrou seu epitáfio, confirmando a antiguidade da veneração.
Posteriormente, no século XVII, o Papa Inocêncio X doou as suas relíquias ao patrício Filippo Casoni, natural de Sarzana. Quando Casoni tornou-se bispo de Fidenza, levou consigo essas relíquias, destinando-as, ao final de sua vida, ao cabido de Sarzana, onde permanecem até hoje. Portanto, o culto a Santo Eutiquiano espalhou-se pela Ligúria, especialmente em Luni e Sarzana.
Por fim, a memória de Santo Eutiquiano continua a inspirar os fiéis, pois sua vida pastoral, sua firmeza doutrinal e seu cuidado pelos defuntos revelam um coração configurado ao Bom Pastor.