Muitos se perguntam: quando surgiu o primeiro papa da Igreja Católica? A resposta é clara. O primeiro papa não foi um imperador nem um bispo posterior. Trata-se do próprio apóstolo São Pedro. Cristo o escolheu desde o início como fundamento visível da sua Igreja. Quando disse: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mateus 16,18), Jesus instituiu o primado.
Esse episódio aconteceu por volta dos anos 30 a 33 d.C., nos últimos momentos do ministério público, pouco antes da Paixão. O papado, portanto, nasce diretamente das palavras e da vontade de Cristo. Desde então, São Pedro exerceu a função de chefe dos apóstolos e se tornou o primeiro papa, ainda que não usasse esse título. Assim se compreende melhor quando surgiu o primeiro papa na história do cristianismo.
Em que ano surgiu o primeiro papa é melhor compreendido entendendo a distinção entre função e nome
A missão confiada a Pedro por Cristo ajuda a compreender em que ano surgiu o primeiro papa na Igreja. Quando Jesus declarou: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18), entre os anos 30 e 33 d.C., entregou-lhe a responsabilidade de ser fundamento visível da fé e pastor da comunidade cristã. Desde esse momento, a função papal já existia, mesmo que ainda não recebesse o nome de papa.
A função é permanente, o nome se definiu depois
Pedro exerceu essa autoridade primeiro em Jerusalém, depois em Antioquia e, finalmente, em Roma, onde foi martirizado entre os anos 64 e 67 d.C. A partir daí, seus sucessores, começando por Lino, continuaram a mesma missão. Isso mostra que a função sempre foi a mesma: governar a Igreja como bispo de Roma e sucessor de Pedro. Ou seja, esse é o marco que indica em que ano surgiu o primeiro papa, ainda que o nome não estivesse definido.
O nome, entretanto, passou por uma evolução. A palavra papa, de origem grega (pappas, “pai”), já era usada no século III como título de respeito. Em 250, uma carta de São Cipriano de Cartago chama o bispo de Roma, São Cornélio (251–253), de papa, mostrando que em algumas regiões o título já se aplicava ao sucessor de Pedro. Ao mesmo tempo, em Alexandria, o bispo também recebia esse tratamento: a tradição atribui ao bispo Heraclas de Alexandria (232–248) o uso do título papa, que continuou entre seus sucessores.
No século IV, o termo ainda circulava de forma ampla. O Concílio de Niceia (325) não menciona o título “papa”, mas documentos do período mostram que a palavra podia se aplicar a diversos bispos de grande autoridade. A exclusividade começou a se desenhar no Ocidente entre os séculos V e VI. Um exemplo claro é o Papa Leão I, o Magno (440–461), que já se apresenta como portador de uma autoridade universal própria do bispo de Roma, mesmo que o vocábulo “papa” ainda não fosse exclusivo.
A exclusividade do título papa
A primeira restrição jurídica conhecida vem com o papa São Gregório VII (1073–1085), dentro da Reforma Gregoriana. No Dictatus papae (1075), São Gregório declara que o título papa pertence somente ao bispo de Roma. Esse decreto encerrou oficialmente a ambiguidade: a palavra deixou de ser usada para outros bispos e passou a designar de modo exclusivo o sucessor de Pedro em Roma.
Assim é a expressão exata do Dictatus Papae:
Que somente o nome do papa seja mencionado nas igrejas. (§ X)
Que esse nome é único no mundo (§ XI)
Esse percurso histórico — Cipriano usando o termo para Cornélio em 250, Heraclas de Alexandria recebendo o mesmo título, Leão Magno afirmando a primazia no século V, e Gregório VII fixando juridicamente em 1075 — mostra que a função existia desde Pedro (30–33 d.C.), mas o nome “papa” foi se definindo até alcançar a exclusividade que conhecemos hoje.
Portanto, quem pergunta em que ano surgiu o primeiro papa deve distinguir função e nome: como função, ele surge nos anos 30–33 d.C., quando Cristo institui Pedro; como título exclusivo, a palavra só se consolida séculos depois. Em ambos os casos, a continuidade é evidente: a função sempre foi a mesma, apenas o nome foi adquirindo precisão histórica.
São Pedro nos Evangelhos e Atos dos Apóstolos
Para compreender ainda melhor em que ano surgiu o primeiro papa, é indispensável olhar diretamente para as Escrituras. O Evangelho de Mateus relata o momento decisivo em que Cristo escolheu Pedro como fundamento da Igreja: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). Nesse mesmo instante, Jesus entregou-lhe as chaves do Reino dos Céus, sinal de autoridade e governo espiritual. Portanto, já entre os anos 30 e 33 d.C., Cristo instituiu nele a função que mais tarde receberia o nome de papado.
Os Atos dos Apóstolos mostram de modo concreto quando surgiu o primeiro papa na vida da comunidade cristã. Logo no início, Pedro tomou a palavra e conduziu a eleição de Matias para substituir Judas (At 1,15-26). Em seguida, ele se levantou em Pentecostes e anunciou o Evangelho diante da multidão, levando cerca de três mil pessoas à conversão (At 2,14-41). Além disso, realizou milagres e curas em nome de Cristo (At 3,1-10) e enfrentou o Sinédrio com coragem para proclamar a fé (At 4,8-12). Desse modo, sua liderança se manifestou de maneira clara e contínua.
Essa liderança alcançou seu ponto alto no Concílio de Jerusalém (At 15,7-11). Nessa ocasião, Pedro falou primeiro, orientou a assembleia e sua decisão recebeu a aprovação dos demais apóstolos. Assim, ele exerceu a primazia de modo evidente, antes mesmo de receber o título de papa. Portanto, a Sagrada Escritura revela em que ano surgiu o primeiro papa: no chamado de Cristo em Mateus e na atuação concreta de Pedro como guia e chefe dos apóstolos narrada nos Atos.
De Jerusalém a Roma: o percurso que consolida a explicação em que ano surgiu o primeiro papa
Para compreender plenamente quando surgiu o primeiro papa, é preciso acompanhar o percurso histórico de São Pedro. Depois de exercer liderança em Jerusalém, ele se dirigiu a Antioquia, onde pastoreou a comunidade local e fortaleceu a fé dos discípulos. Essa passagem pela Síria confirma que Pedro exercia autoridade não apenas entre os Doze, mas também nas Igrejas que iam nascendo fora da Palestina.
Com o tempo, porém, Roma se tornou o destino definitivo de sua missão. Fontes antigas, como Eusébio de Cesareia na História Eclesiástica, relatam que Pedro chegou à capital do Império e ali assumiu o governo da Igreja. Além disso, escritores cristãos do século II, como Santo Irineu de Lião, já testemunhavam a presença de Pedro em Roma e sua sucessão por Lino, confirmando a continuidade do episcopado romano.
O martírio de Pedro, ocorrido entre os anos 64 e 67 d.C., durante a perseguição de Nero, selou esse percurso. Ele foi crucificado e sepultado no Vaticano, local onde mais tarde se ergueria a Basílica de São Pedro. Assim, o sangue do apóstolo fez de Roma o centro visível da fé cristã. Desde o martírio, Roma passou a ser reconhecida como sede da Igreja universal, pois ali permanecia a autoridade do sucessor de Pedro.
Portanto, o caminho que vai de Jerusalém a Antioquia e culmina em Roma mostra de forma clara quando surgiu o primeiro papa: desde os anos 30–33 d.C. pela instituição de Cristo, mas consolidado em Roma no testemunho final de Pedro e na sucessão de seus bispos, que herdaram a mesma função de guiar toda a Igreja.
O primeiro bispo de Roma
A compreensão de quando surgiu o primeiro papa passa necessariamente pelo reconhecimento de Pedro como o primeiro bispo de Roma. Depois de sua missão em Jerusalém e em Antioquia, ele estabeleceu-se na capital do Império, onde guiou a comunidade cristã até o martírio, entre os anos 64 e 67 d.C., durante a perseguição de Nero. Desde então, a tradição cristã identifica Pedro como o bispo fundador da Igreja romana. Confira: Pedro esteve em Roma?
A função que Pedro exerceu em Roma não foi uma invenção posterior, mas a continuação direta da missão recebida de Cristo. Ele atuou como sucessor imediato do Senhor no governo visível da Igreja, exercendo autoridade sobre toda a comunidade de fiéis. Por isso, a sucessão episcopal em Roma tem caráter único: os bispos que vieram depois herdaram não apenas uma sede local, mas também a missão universal que Cristo confiou a Pedro.
O título de “papa”, que só se consolidaria séculos mais tarde, foi aplicado retroativamente a Pedro porque nele já se encontrava a realidade que o termo designa. A palavra serviu para nomear de modo exclusivo uma função que existia desde os primórdios. Assim, quando se pergunta quando surgiu o primeiro papa, a resposta remete ao próprio Pedro, que já em vida exerceu plenamente essa função como bispo de Roma e chefe da Igreja, ainda que sem usar o nome que a tradição consagrou depois.
Testemunhos patrísticos e históricos
Para situar com precisão quando surgiu o primeiro papa, a patrística oferece marcos datados e verificáveis. Logo no fim do século I, Clemente de Roma, bispo entre aproximadamente 88–97, enviou a carta aos Coríntios por volta de 96. Nela, interveio para restabelecer a ordem em uma Igreja distante, o que revela a consciência, já muito cedo, de um papel peculiar da Sé de Roma. Além disso, Clemente aparece na série episcopal romana como sucessor na linha de Pedro, após Lino (c. 67–76) e Anacleto/Cléto (c. 76–88), o que ajuda o leitor a enxergar cronologicamente quando surgiu o primeiro papa em sua função e como essa função continuou nos sucessores imediatos.
A continuidade patrística sobre em que ano surgiu o primeiro papa
No século II, Santo Irineu de Lião compôs o Adversus Haereses por volta de 180–189. Em III,3, ele não discute somente a importância de Roma: ele fornece a lista de sucessão desde os apóstolos até seu próprio tempo, ancorando historicamente a linha petrina. Santo Irineu registra, em ordem, São Lino, São Anacleto, São Clemente, Santo Evaristo (c. 97–105), Alexandre (c. 105–115), Sisto I (c. 115–125), Telésforo (c. 125–136), Higino (c. 136–140), Pio I (c. 140–154), Aniceto (c. 154–166), Sotero (c. 166–174) e Eleutério (c. 174–189). Essa enumeração mostra, com nomes e intervalos plausíveis, a continuidade do episcopado romano desde Pedro, oferecendo uma resposta histórica concreta à pergunta quando surgiu o primeiro papa.
No início do século IV, Eusébio de Cesareia compôs a História Eclesiástica (c. 313–324) e, ao reunir fontes antigas como Hegésipo e o próprio Irineu, organizou a cronologia da sucessão romana. Eusébio fixa o martírio de Pedro no reinado de Nero, entre 64–67, e confirma a mesma sequência de bispos. Desse modo, ele fornece a costura cronológica que liga o testemunho do fim do século I (Clemente) às listas do fim do século II (Irineu), consolidando a memória histórica de quando surgiu o primeiro papa e como se transmitiu sua função.
Já São Jerônimo, no fim do século IV, ao redigir obras como o De viris illustribus (392) e ao sintetizar tradições anteriores, afirma que Pedro ocupou primeiro a cátedra de Roma e selou seu ministério com o martírio no tempo de Nero, muitas vezes situado no ano 14 desse imperador (68). Ao lado de sua monumental tarefa na Vulgata, Jerônimo funciona como ponte entre a erudição cristã clássica e a recepção latina da sucessão romana, reforçando com datas e nomes aquilo que a patrística já atestava.
Conclusão sobre os testemunhos antigos
Em conjunto, São Clemente (c. 96), Irineu (c. 180–189), Eusébio (início do séc. IV) e São Jerônimo (fins do séc. IV) constroem uma linha documental coerente: Pedro inaugura em Roma a função que a história reconhece no bispo romano; seus primeiros sucessores aparecem com nomes e períodos; e, assim, o leitor vê com clareza quando surgiu o primeiro papa na prática da Igreja primitiva e como essa realidade permaneceu contínua nos séculos seguintes.
Conclusão: em que ano surgiu o primeiro papa?
A resposta à pergunta quando surgiu o primeiro papa não se encontra em invenções tardias, mas nos próprios Evangelhos e na história da Igreja primitiva. O primeiro papa é São Pedro, instituído por Cristo entre os anos 30 e 33 d.C., quando recebeu a missão de ser a pedra da Igreja e o chefe dos apóstolos. Esse é o início do pontificado, ainda que o título de “papa” não fosse usado naquele tempo.
Anos mais tarde, Pedro se estabeleceu em Roma, onde exerceu sua missão pastoral até o martírio sob Nero, por volta de 64–67 d.C. A partir de então, seus sucessores continuaram o mesmo ofício, consolidando a sucessão apostólica que mantém viva a função papal. O nome “papa” surgiu apenas posteriormente, mas o primado já estava presente em Pedro desde a instituição feita por Cristo.
Portanto, Pedro não se chamou “papa”, mas exerceu de fato o papado como bispo de Roma e guia da Igreja universal. A continuidade histórica da sua função e a lista ininterrupta de sucessores confirmam que a Igreja Católica não foi fundada por Constantino, mas por Cristo sobre Pedro, o apóstolo que recebeu as chaves do Reino dos Céus.