São Valeriano, Bispo e Mártir

15 de dezembro

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São Valeriano foi um bispo católico da África do Norte que ofereceu um testemunho extremo de fidelidade a Cristo no século V. Antes de tudo, celebrado pela Igreja em 15 de dezembro, São Valeriano preferiu a miséria, o abandono e a morte à traição da fé católica e à profanação dos bens sagrados.

Em primeiro lugar, é necessário situar o leitor. Abbensa, também chamada Avensa, era uma cidade da África Proconsular, antiga província do Império Romano. Atualmente, suas ruínas ficam no centro-norte da Tunísia, perto de Sidi Khelifa ou Henchir Bou Beker, nas regiões de Siliana ou Kairouan. Nesse sentido, foi ali que São Valeriano exerceu o ministério como bispo.

Posteriormente, São Valeriano morreu por volta dos anos 457–460. Naquele tempo, a África do Norte estava sob o domínio dos vândalos. Ou seja, tratava-se de um povo germânico invasor, originário do norte da Europa, que havia conquistado violentamente territórios do Império Romano. Logo depois, entre 429 e 439, os vândalos tomaram a região e fundaram um reino próprio.

Além disso, os vândalos professavam o arianismo. Em outras palavras, seguiam uma doutrina que negava a plena divindade de Jesus Cristo. Por isso, rejeitavam a fé católica definida no Concílio de Niceia, em 325. Como resultado, passaram a perseguir duramente os católicos.

Não confundir com São Valeriano, esposo de Santa Cecília. Por isso, aqui vamos tratá-lo de São Valeriano Bispo.

São Valeriano Bispo e a perseguição vândala

Em primeiro lugar, é preciso compreender a gravidade dessa perseguição. Segundo os relatos antigos, os vândalos expulsaram bispos de suas dioceses. Além disso, confiscaram igrejas e proibiram o culto católico. Frequentemente, padres e fiéis sofreram violência. Assim, muitos morreram. São Valeriano foi uma dessas vítimas.

De acordo com as fontes, os dados mais seguros sobre São Valeriano vêm de Vítor de Vita, bispo e testemunha direta dos fatos. Nesse sentido, em sua obra Historia persecutionis Africanae provinciae, escrita por volta de 484, ele descreve com precisão o sofrimento da Igreja africana.

Segundo Vítor de Vita, São Valeriano tinha cerca de 80 anos. Ainda assim, recebeu uma ordem direta do rei vândalo Geiserico. A princípio, o pedido parecia simples. O bispo deveria entregar os vasos sagrados e os bens da igreja de Abbensa.

Contudo, São Valeriano recusou-se com firmeza. Afinal, esses objetos estavam consagrados ao culto divino. Portanto, não podiam ser entregues a hereges. Desse modo, escolheu obedecer a Deus antes dos homens.

A morte santa de São Valeriano Bispo

Como resultado dessa recusa, Geiserico decretou uma punição extrema. Primeiramente, São Valeriano foi expulso de sua casa e da cidade. Além disso, o rei proibiu qualquer ajuda ao bispo. Ou seja, ninguém podia oferecer abrigo, alimento ou água. Do contrário, a pena era a morte.

Assim, São Valeriano passou a viver nas ruas. Durante o dia, sofreu com o sol intenso. À noite, enfrentou o frio e a umidade. Em suma, não tinha teto nem proteção.

Apesar disso, seu testemunho tocou os fiéis. Segundo Vítor de Vita, muitos cristãos tentavam socorrê-lo em segredo. Frequentemente, levavam um pouco de pão ou água durante a noite. Ainda assim, faziam isso arriscando a própria vida.

Pouco depois, o velho bispo morreu. Como resultado, a fome e a exposição contínua enfraqueceram seu corpo. Todavia, a Igreja reconheceu sua morte como verdadeiro martírio. Ou seja, ele morreu por causa da fé católica e da rejeição à heresia.

O culto e a memória

Por fim, a Igreja conservou com zelo a memória de São Valeriano Bispo. Atualmente, ele é celebrado no Martirológio Romano em 15 de dezembro. Além disso, aparece em martirológios antigos. Entre eles, destacam-se o Hieronymianum e o Cartaginense. Igualmente, seu nome figura em calendários moçárabes.

Embora a diocese de Abbensa tenha desaparecido no século VII, a lembrança permaneceu. Desse modo, São Valeriano continua presente nos catálogos episcopais da África cristã. Assim, seu exemplo atravessou os séculos.

Em conclusão, São Valeriano ensina que a fidelidade não enfraquece com a idade. Pelo contrário, torna-se mais luminosa. Por último, seu martírio silencioso permanece como lição de coragem, reverência ao sagrado e amor absoluto à Igreja.

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